História de
Goiás
1 - Bandeiras Descobridoras e
Povoamento de Goiás
As primeiras Bandeiras
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Já no primeiro século da colonização do Brasil,
diversas expedições, percorreram parte do território do atual Estado de
Goiás. Estas expedições, organizadas principalmente na Bahia, centro
então da colonização, eram umas de caráter oficial destinadas a explorar
o interior e buscar riquezas minerais, e outras empresas comerciais de
particulares organizadas para a captura de índios.
São Paulo saiam as bandeiras que buscando índios, cada
vez mais escassos, chegavam com freqüência até ao extremo norte de
Goiás, região do Estreito.
A primeira bandeira, que partindo de São Paulo,
possivelmente chegou até os sertões de Goiás no leste do
Tocantins, foi a de Antônio Macedo e Domingos Luís Grau
(1590-1593). Depois seguiram-se a de Domingos Rodrigues
(1596-1600), que desceu até a confluência do Tocantins com o
Araguaia; a de Afonso Sardinha (1598-?) a de Belchior Carneiro
(1607-1609), que passou ainda mais para o norte; a de Martins
Rodrigues (1608-1613); a de André Fernandes (1613-1615); a de
Pedroso de Alvarenga (1615-1618); a de Francisco Lopes
Buenavides (1665-1666); a de Luís Castanho de Almeida e a
expedição familiar de Antônio Paes (1671); a de Sebastião Paes
de Barros (1673). Esta bandeira, a maior das saídas de São Paulo
para Goiás, contava com uns 800 membros e se fixou na região da
confluência do Tocantins e o Araguaia, dedicada
preferencialmente à
mineração.
Outro tipo de expedições eram "descidas" dos jesuítas
do Pará. Os jesuítas tinham criado na Amazônia um sistema bem
estruturado de "aldeias" de alcuturação indígena. Buscando índios para
estas aldeias, os jesuítas organizaram diversas expedições fluviais, que
subindo o Tocantins chegaram a Goiás.
Mas nem bandeirantes nem jesuítas vinham para fixar-se
em Goiás.
II. Descobrimento de Goiás
O descobridor de Goiás foi Anhangüera. Isto não
significa que ele fosse o primeiro a chegar a Goiás, mas sim que ele foi
o primeiro em vir a Goiás com intenção de se fixar aqui, (1690
1718).
Bartolomeu Bueno da Silva, pai, experiente
sertanista, era cego de um olho. Talvez deste defeito físico
venha o apelido "Anhangüera", de origem e significado
discutidos. Quase todos os sertanistas eram apelidados pelos
índios. Quanto ao fato de haver ateado fogo num prato de
aguardente para amedrontar os índios a fim de que lhes
mostrassem as minas, não se tratava de fato original. Era um
ardil comum próprio dos exploradores. Segundo Pedro Tanques,
linhagista paulistanos, o primeiro bandeirante que usou este
método foi Francisco Pires Ribeirão, sobrinho do Caçador das
Esmeraldas.
A bandeira era uma expedição organizada militarmente, e
também uma espécie de sociedade comercial. Cada um dos participantes
entrava com uma parcela de capital, que consistia, ordinariamente, em
certo número de escravos. Os principais financiadores da bandeira foram
João Leite da Silva Ortiz, genro do próprio Anhanguera, proprietário de
Lavras em Minas, e João de Abreu, irmão de Ortiz.
III. Viagem da Bandeira de Anhangüera
A bandeira saiu de São Paulo a 3 de julho de 1722. O
caminho já não era tão difícil como nos primeiros tempos.
Mas a bandeira se descaminhou quase desde o início.
Surgiram muitas inimizades entre os chefes paulistas e os componentes da
bandeira, quase todos "emboabas". O roteiro, se existia, não ajudou para
encontrar o caminho. Muitos foram morrendo de fome. Outros preferiam
voltar em pequenos grupos para São Paulo.
O Anhangüera era um homem obstinado: disse que preferia
a morte a voltar fracassado. No fim acabou tendo sorte. Numa das voltas
da bandeira, quando já lhe restavam poucos companheiros, descobriu outro
nas cabeceiras do Rio Vermelho ¾ na atual
região da cidade de Goiás.
A 21 de outubro de 1725, após três anos, voltaram
triunfantes a São Paulo, propalando que tinham descoberto cinco córregos
auríferos, umas minas tão ricas como as de Cuiabá, com ótimo clima e
fácil comunicação.
IV. Povoamento de Goiás
A primeira região ocupada foi a região do rio Vermelho.
Fundou-se o arraial de Sant’Ana, que depois seria chamado Vila Boa, e
mais tarde, Cidade de Goiás, sendo durante 200 anos a capital do
território.
O povoamento determinado pela mineração de ouro é
povoamento mais irregular e mais instável, sem nenhuma ordem. Quando o
ouro se esgota, os mineiros mudam-se para outro lugar e a povoação
definha ou desaparece.
Três zonas povoaram-se assim durante o século XVIII com
uma relativa densidade; uma zona no centro-sul, na "região do
Tocantins".
E, por fim, o verdadeiro norte da Capitania, ficava
ainda sem nenhuma povoação; o sul e o sudoeste, todo o Araguaia e o
norte desde Porto Nacional até o Estreito. A ocupação humana destas
zonas processar-se-ia com a extensão da pecuária e da lavoura, durante
os séculos XIX e XX.
2 - Economia do Ouro em Goiás
I. Goiás dentro do sistema colonial
Era o pacto colonial uma espécie de pacto implícito
entre a metrópole e suas colônias em que ambas as partes devam e
recebiam numa troca de benefícios que se supunha vantajosa para todos. A
metrópole dava, em primeiro lugar, proteção; a ela correspondia o dever
de manter a ordem interna da colônia e defendê-la contra os inimigos
exteriores.
A colônia, em troca, devia integrar-se como uma parte
subordinada no sistema político-econômico da metrópole. A colônia se
especializava em produzir "matérias-primas" e os exportava para a
metrópole.
As capitanias de Minas foram durante o século
XVIII Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. Era interesse do
governo ¾ dentro da mentalidade
mercantilista de especialização para a exportação, concentrar
todo esforço na produção do ouro; com essa finalidade proibia
ou dificultava outros ramos de produção. Poderíamos citar como
exemplo a proibição de engenhos de açúcar em
Goiás.
Durante os cinqüenta primeiros anos; todos os esforços
de capital em de mão de obra deveriam concentrar-se na mineração. Tal
sistema não se devia exclusivamente aos desejos e à política dos
dirigentes era também decorrente da mentalidade do povo.
Aqui, em Goiás, traduziu na supervalorização do
"mineiro" e na pouca estima das outras profissões, especialmente do
"roceiro". Mineiro naquele tempo significava, não como hoje, aquele que
trabalha na mina, mas o proprietário de lavras e escravos que as
trabalhassem, assim como roceiro não significava o que trabalhava na
roça, mas o proprietário de terras e escravos dedicados à lavoura, algo
assim como o fazendeiro de hoje.
Ser mineiro, era a profissão mais honrosa, significava
status social. Isto explica que fora da mineração não se
desenvolvessem outras formas importantes de economia durante o século
XVIII, e que só fossem ocupadas as áreas.
II. A mineração em Goiás
Dois tipos de jazidas auríferas foram exploradas no
Brasil:
1. As jazidas sedimentares davam lugar ao que se
chamava "mineração de cascalho o ouro de aluvião e 2) as formações
rochosas com veios auríferos na pedra.
1.1 As jazidas sedimentares davam lugar ao que se
chamava "mineração de cascalho". O trabalho do mineiro consiste em
arrancar o cascalho e peneirá-lo, para que o ouro, mais pesado que a
areia, fique depositado no fundo. Para retirar o cascalho aurífero, às
vezes recoberto por outras camadas sedimentares, costumava-se cercar e
secar uma parte do rio, ou desviar a corrente, ou, em formas mais
elementares, retirar o cascalho do fundo da água.
2. A "mineração de morro", como era chamada a
mineração na rocha primitiva, era muito mais cara, e tecnicamente mais
difícil.
Praticava-se de duas formas: ou por meio de túneis e
galerias ¾ "mineração de mina" ¾ ou cortando a montanha perpendicularmente ¾ "talho aberto".
III. O quinto em Goiás
De duas formas foi cobrado o imposto do quinto em
Goiás" a "capacitação" e o quinto, propriamente dito.
A capacitação foi uma forma de cobrar o quinto
instituída precisamente por temor ao contrabando. As autoridades
pensaram que era mais fácil ocultar o ouro que os escravos, e
determinaram que em vez de pagar-se pelo ouro extraído, se pagaria o
imposto pelo número de escravos.
Este sistema de cobrança do quinto esteve em vigor 16
ano, de 1736-51; depois foi abolido pois os mineiros reclamavam que era
injusto que todos pagassem o mesmo: o dono de uma lavra muito rica, em
que o rendimento do escravo era alto, e o que trabalhava uma data
pobre ou meio esgotada, que mal dava para pagar o custo do escravo.
Voltou-se, então, ao pagamento direto do quinto. O ouro
em pó retirado das minas, corria como moeda na Capitania. Tudo se
comprava ou vendia não com moeda cunhada, mas com ouro em pó pesado em
pequenas balanças.
IV. A produção do ouro em Goiás
Quanto ouro produziram as minas de Goiás? Não é
possível dizê-lo com certeza, pois não se conservam registros das lavras
nem de sua produção.
Tampouco são completos os registros do quinto; entre
1726 e 1751 faltam bastante anos. Mas suprindo os anos que faltam pelos
dados conhecidos, podemos afirmar que o quinto, nos cem anos que vão até
a independência, subiu aproximadamente a 20.000 Kg. Sendo, portanto, a
produção declarada de 100.000 Kg.
Mais grave era a decadência da produtividade, isto é,
da produção de ouro por homem dedicado à mineração; a diminuição da
produtividade iniciou-se já nos primeiros anos, mas começou a tornar-se
um problema grave depois de 1750; nos dez primeiros anos, um escravo
podia produzir até perto de 400 gramas de ouro por ano; nos 15 anos
seguintes (1736-1750) já produzia menos de 300; a partir de 1750 não
chegava a 200, e mais tarde, em plena decadência, a produção era
semelhante à dos garimpeiros de hoje: pouco mais de 100 gramas.
Esta curva da produtividade nos explica que a mineração
foi um negócio próspero até 1750, um empreendimento arriscado, mas ainda
rendoso entre 1750 e 1770, um negócio ruinoso depois desta data.
V. A riqueza do ouro em Goiás
Não podemos comparar a produção das épocas antigas com
a de hoje, pois a técnica tem multiplicado muitas vezes a produção e a
produtividade.
Goiás foi o segundo produtor de ouro do Brasil,
bastante inferior a Minas ¾ Aproximadamente 1/6
¾ e um pouco superior a Mato Grosso ¾ talvez 10/7.
A produção e a renda "per capita" não foram
muito elevadas durante o período da mineração.
O ouro parecia uma grande riqueza que enganou aos
contemporâneos, mas tendo em conta a população e os capitais empregados,
os rendimentos não eram grandes.
Pouco deste ouro ficou no Brasil, nada ficou em Goiás.
Em virtude do "pacto colonial", como antes explicamos, os produtos do
Brasil iam para Portugal que os vendia para o exterior; Portugal, em
troca, enviava para o Brasil homens, administradores, exércitos,
produtos comerciais, sobretudo produtos manufaturados.
Em Goiás, em 1800, além dos antigos índios, havia mais
de 50.000 hab., havia cidades construídas, estradas e caminhos, fazendas
em produção. O capital que pagou tudo isto foi o couro, e isto é o que
ficou para Goiás da época do ouro.
3 - A Sociedade Goiana da Época do Ouro
I. Quadro administrativo: a Capitania de
Goiás
Goiás fora descoberto por paulistas e era um terreno
teoricamente pertencente à Capitania de São Paulo. Por isso, de início,
foi considerado um território de minas dentro da Capitania de São
Paulo.
Depois de vinte anos, Goiás tinha crescido tanto, em
população e em importância, que não podia continuar sendo governado à
distância por São Paulo. A Corte portuguesa decidiu tornar Goiás
independente de São Paulo, elevando-o à categoria de Capitania. O
território goiano passou então a ser denominado Capitania de Goiás,
título que conservaria até a independência, quando se tornou
Província.
II. A população de Goiás
A primeira informação sobre a população de Goiás são os
dados da capitação de 1736. Dez anos, portanto, depois do início da
mineração, havia em Goiás mais de 10.000 escravos adultos. O total da
população? Menos de 20.000, pois os escravos deviam constituir mais da
metade da população. Os dez primeiros anos de mineração instalaram em
Goiás quase 20.000 pessoas que, abriram caminhos, cidades, colocando em
atividade grande parte do território.
Em 1750, ao tornar-se Goiás capitania, os habitantes
deviam ser pouco menos de 40.000. A população continuou aumentando,
embora já um rítmico inferior: em 1783 havia em Goiás quase 60.000
habitantes; um aumento de mais de 50%.
Entre esta data e 1804, parece que a decadência da
mineração se traduziu numa diminuição da população. Não se importavam
mais escravos para suprir as mortes, bastantes brancos e livres
emigravam para outros territórios. O censo de 1804 deu 50.000 habitantes
para Goiás. Uma diminuição de quase 20%.
III A sociedade em Goiás durante a
colônia.
A que se devia esta tendência à diminuição do número
relativo de escravos nos territórios de mineração? A várias causas,
decorrentes todas da própria decadência da mineração. Podemos analisar
como mais importantes.
* A diminuição ou estancamento na importação de
escravos.
Em Goiás deixaram de importar-se escravos a partir de
1775, pois a decadência em produção e produtividade das minas fazia com
que os mineiros tivessem perdido todo crédito junto às companhias
importadoras de escravos.
Não entretanto novos escravos, e sendo a taxa de
natalidade entre eles bastante inferior à do resto da população, é
lógico que a longo prazo a proporção da população escrava tendia a
diminuir.
* A diminuição da produtividade do trabalho
escravo:
Ao diminuir a produtividade, chegava um momento em que
o trabalho escravo quase não pagava os próprios custos e, resultava mais
barato, e sobretudo mais seguro, o trabalho assalariado ou
semi-assalariado.
* A compra da liberdade:
O regime de trabalho do escravo nas minas era realmente
duro e desumano, mas tinha algumas compensações com o respeito ao
escravo destinado a outras ocupações. O escravo podia trabalhar para si
em dias feriados e em horas extras.
* A miscigenação:
Pelos registros dos batizados, podemos constatar como
esta situação era parecida em Goiás. Estes filhos de escrava com branco
às vezes recebiam a liberdade no momento do batizado, outros ficavam
escravos toda a vida.
* O tipo de trabalho:
O controle rigoroso do trabalho escravo, próprio à
mineração e à lavoura de monocultura, era praticamente impossível na
pecuária extensiva.
IV A vida do escravo:
A vida do escravo nas minas era extraordinariamente
dura. Em primeiro lugar todos os males do garimpo: trabalho esgotador,
má alimentação, as graves doenças. A isto há que acrescentar os males da
falta de liberdade: arbitrariedades, castigos. Eram considerados mais
como cousas que como pessoas.
Em conseqüência do árduo trabalho e da
escassez de vantagens que habitualmente lhes cabiam por sorte
– escreve Boxer -, a vida de um escravo trabalhador era, quase
sempre, sórdida, brutal e curta. Um missionário capuchinho,
italiano, que visitou a Bahia em 1682, ouviu contar que "o
trabalho deles é tão pesado e seu sustento tão pequeno que se
pode dizer terem vivido muito, quando agüentam sete anos".
Martinho de Mendonça, depois de fazer exaustivas investigações
em Minas Gerais, no ano de 1734, declarou que os senhores não
esperavam, normalmente, conseguir mais de doze anos de
trabalho dos escravos que compravam.
V - A sociedade mestiça
Ao mesmo tempo que diminuía o número de escravos,
aumentava, como é lógico, o número de pretos livres ou "forros". Na
capitação de 1745, os negros forros, que pagaram capitação, foram 120, o
quando o número de escravos chegava quase a 11.000. No recenseamento de
1804, os negros livres era em número de 7.936, 28% do total de
pretos.
Maior era, ainda, a progressão dos mulatos. A ausência
de mulheres brancas nas minas foi a determinante de uma mestiçagem, em
grande escala, entre branco e preto, até então desconhecida no
Brasil.
Em Goiás, pretos livres e mulatos só trabalhavam o
indispensável para não morrerem de fome. Os brancos, por costume
inveterado, faziam o mesmo.
Depois de algum tempo, havia mulatos em todos os níveis
da sociedade: no exército, no sacerdócio, entre os grandes
proprietários. Mas nem o negror livre, nem o mulato eram socialmente bem
aceitos.
Escravos, negros e mulatos apareciam muitas vezes
equipados nas expressões correntes e mesmo nos documentos oficiais, como
formando a ralé da sociedade.
VI - Classes Dirigentes
Os brancos foram sempre uma minoria, mas com a
decadência da mineração, esta minoria foi-se tornando cada vez mais
exígua. Ao acentuar-se a decadência, muitas famílias brancas migraram
para outras regiões. Em 1804, os brancos constituíam pouco menos de 14%
da população.
Os dias de apogeu da mineração foram breves. Então, ser
rico, "mineiro poderoso" era possuir 250 escravos ou mais. Não faltaram
mineiros que em Goiás possuíam este número de escravos. Com a
decadência, tornaram-se raros os que tinham 12 escravos.
Mesmo entre os brancos a pobreza era geral, mas ser
branco continuava sendo uma honra e um privilégio. "O branco, mesmo
quando pobre, escrevia Eschwege na época da independência, não move uma
palha, pois até na vadiagem encontra com que viver.
VII - Os índios
Ao tempo de descoberta, eram numerosas as tribos de
índios em Goiás, cobrindo todo o seu território. Podemos citar entre as
mais importantes: Caiapó, Xavante, Goiá, Crixá, Araés; Xerente, Carajá,
Acroa...
Durante a época da mineração as relações entre índios e
mineiros foram exclusivamente guerreiras e de mútuo extermínio.
Aldear os índios consistia em reuni-los em
povoações fixas, chamadas aldeias, onde, sob supervisão da uma
autoridade leiga ou religiosa, deviam cultivar o solo e
aprender a religião cristã. Em 1754, deu D. Marcos regimento a
estas aldeias, submetendo os índios a um rigoroso regime
militar, que gerou os piores
resultados.
4. Transição da Sociedade Mineradora à Sociedade
Pastoril
Ao se evidenciar a decadência do ouro, várias
medidas administrativas foram tomadas por parte do governo, sem
alcançar, no entanto, resultados satisfatórios.
A economia do ouro, sinônimo de lucro fácil, não
encontrou, de imediato, um produto que a substituísse em nível de
vantagem econômica.
A decadência do ouro afetou a sociedade goiana,
sobretudo na forma de ruralização e regressão a uma economia de
subsistência.
I - Tentativas governamentais para o progresso de
Goiás
Com a decadência ou desaparecimento do ouro, o governo
português, que antes procurava canalizar toda a mão de obra da Capitânia
para as minas, passou através das suas autoridades a incentivar e
promover a agricultura em Goiás.
Vários foram, porém, os obstáculos que impediram seu
desenvolvimento:
1º ¾ legislação fiscal ¾ os dízimos, temidos pelos agricultores, tanto na
forma de avaliação, como na forma de pagamento;
2º ¾ desprezo dos mineiros
pelo trabalho agrícola, muito pouco rentável;
3º ¾ ausência de mercado
consumidor;
4º ¾ dificuldade de
exportação, pelo alto custo do transporte e ausência de sistema
viário.
Com a decadência, a população não só diminuiu como se
dispersou pelos sertões.
Neste sentido, várias resoluções foram tomadas, embora,
muitas delas permanecessem letra morta:
1º ¾ Foi concedido isenção dos
dízimos por espaço de tempo dez anos aos lavradores que nas margens dos
rios Tocantins, Araguaia e Maranhão fundassem estabelecimentos
agrícolas;
2º ¾ Deu-se especial ênfase à
catequese e civilização do gentio com interesse em aproveitar a mão de
obra dos índios na agricultura;
3º ¾ Criação de presídios à
margem dos rios com os seguintes objetivos: proteger o comércio,
auxiliar a navegação e aproveitar dos naturais para o cultivo da
terra;
4º ¾ Incrementou-se a
navegação do Araguaia e Tocantins.
5º ¾ Tentou-se desenvolver a
navegação dos rios do sul de Goiás como Paranaíba e alguns de seus
afluentes, a fim de se comunicar com o litoral, com mais facilidade.
6º ¾ Revogou-se o alvará de 5
de janeiro de 1785 que proibia e extinguia fábricas e manufaturas em
toda a Colônia.
II - Novos aspectos administrativos
Por causa da enorme área geográfica de Goiás, vários
capitães generais haviam a divisão da capitania em duas Comarcas, a fim
de facilitar a administração. No entanto, somente no ano de 1809, quando
o Brasil já vivia o processo de sua emancipação política, foi o nosso
território dividido em duas comarcas:
¾ A do sul ¾ compreendendo os julgados de: Goiás, (cabeça ou
sede) de Meia Ponte, de Santa Cruz, de Santa Luzia, de Pilar, de Crixás
e Desemboque;
¾ A do norte ¾ compreendendo os julgados de: Vila de São João da
Palma (cabeça ou sede), da Conceição, da Natividade, de Porto Imperial,
de São Félix, de Cavalcante e de Trahiras.
Outra medida administrativa de real valor foi a criação
do cargo de juiz de fora de Vila Boa, também no ano de 1809.
Antes a câmara da capital, a única da Capitania,
portanto a única que administrava as rendas de todos os julgados, era
formada por vereadores indolentes e presidida por juízes leigos, que não
tinham consciência de seus deveres.
O estabelecimento de uma linha de correio da Corte para
o Pará por via Goiás (1808) auxiliou o desenvolvimento da navegação e
favoreceu as comunicações.
Antes, com a alta produção do ouro, os
habitantes de Goiás viam passar com freqüência os tropeiros
e mascates com suas mercadorias, trazendo notícias do que
acontecia nas capitanias, no Brasil e até na Europa. Com a
queda da mineração deixaram de vir a Goiás, cuja população
ficou isolada durante muito
tempo.
Estas novas medidas administrativas não deixaram de
auxiliar a Capitania que se encontrava em condições difíceis, mas não
resolveram seus grandes problemas, que eram de ordem econômica, social e
cultural.
III - Conseqüências da decadência da
mineração
A economia mineradora não só trouxe a idéia como a
realidade da riqueza fácil. Em menos de 20 anos, regiões desconhecidas
estavam povoadas, cortadas por tripeiros, entrando e saindo gêneros
comerciais, desenvolvendo-se, em alguns aspectos, uma sociedade
diferente da sociedade tradicional brasileira.
Mas, tão logo os veios auríferos escassearam, numa
técnica rudimentar, dificultando novos descobertos, a pobreza, com a
mesma rapidez, substituiu a riqueza.
Esta evidente decadência trouxe para Goiás uma
defasagem Sócio- Cultural. Registrou-se queda na importação e
exportação, afetando muito o comércio; parte da população abandonou o
solo goiano e parte se dispersou para a zona rural, dedicando-se à
criação de gado ou agricultura.
Goiás viveu um longo período de transição. Desaparecera
uma economia mineradora de alto teor comercial. Nascia uma economia
agrária, fechada, de subsistência, produzindo apenas algum excedente
para aquisição de gêneros essenciais, como: sal, ferramentas, etc.
5 - A Independência em Goiás
Assim como no Brasil, o processo de independência em
Goiás se deu gradativamente. A formação das juntas administrativas, que
representam um dos primeiros passos neste sentido, deram oportunidade às
disputas pelo poder entre os grupos locais.
Especialmente sensível em Goiás foi a reação do Norte
que, se julgando injustiçado pela falta de assistência governamental,
proclamou sua separação do sul.
I - O processo da independência do Brasil e seus
reflexos em Goiás
Após a volta de D. João VI para Portugal, o Brasil
viveu um período de profunda crise política, pois suas conquistas
econômicas e administrativas estavam sendo ameaçadas pelas Cortes
Portuguesas.
Em Goiás a população rural permaneceu alheia a essas
crises. Mas, elementos ligados à administração, ao exército, ao clero e
a algumas famílias ricas e poderosas, insatisfeitos com a administração,
fizeram germinar no rincão goiano o reflexo das crises nacionais. A
atuação dos capitães generais, às vezes Prepotentes e
Arbitrários, fez nascer na capitania Ogerisa pelos
administradores. A causa maior dos descontentamentos encontrava-se na
Estrutura da administração colonial. Os empregados públicos eram
os mais descontentes: a receita não saldava as despesas e os seus
vencimentos estavam sempre em atraso. Encontravam-se também entre estes
elementos do clero, os mais intelectualizados da Capitania.
II - Primeiras manifestações contra a administração
colonial
As insatisfações administrativas existiam, mas
raramente se manifestavam. Foram as Câmaras que se manifestavam em
primeira linha contra os Capitães Generais, representantes diretos da
metrópole. Em 1770 por ocasião da morte do Capitão General João Manoel
de Melo, a Câmara elegeu uma junta governativa para substitui-lo. Em
1803 desentendeu-se com o Capitão General e pretendeu destituí-lo do
poder. Nos dois casos, o Governo Metropolitano repreendeu severamente
estas atitudes, sob a justificativa de que, "para se fazer eleições
semelhantes, são sempre necessárias ordens terminantes, e positivas de
S. M.
Teopos depois (1820) por ocasião da escolha dos
representantes goianos à Constituinte Portuguesa, apareceram nas
esquinas da cidade de Goiás proclamações insubordinativas contra
a ordem constituída, sob a liderança do Padre Luiz Bartolomeu
Márquez.
III - Constituição das Juntas Governativas e a
Proclamação da Independência
Apesar da ação repressora do governador Sampaio,
que se colocou contra a idéia de criação de uma junta Governativa, foi
esse mesmo Governador obrigado pelas pressões de grupos políticos locais
a ordenar à Câmara a eleição de uma junta Governativa, em cumprimento ao
decreto de 18 de abril de 1820. Nesta primeira eleição, Sampaio
trabalhou para ser eleito presidente da junta, o que de fato conseguiu:
grupos políticos locais, insatisfeitos com a sua administração,
desejavam, afastá-lo, Surgiram desentendimentos, brigas, que
culminaram com sua renúncia e retirada da Província.
Elegeu-se nova junta Governativa. Foram seus
integrantes: Álvaro José Xavier ¾ Presidente,
José Rodrigues Jardim, ¾ Secretário, e os
membros, Joaquim Alves de Oliveira, João José do Couto Guimarães e
Raimundo Nonato Hyacinto, pe Luiz Gonzaga de Camargo Fleury e Inácio
Soares de Bulhões.
Processada a Independência do Brasil ¾ 1822, esta não trouxe transformações, quer sociais,
quer econômicas para Goiás. Operou-se teoricamente a descolonização. No
dia 16 de dezembro, fez-se juramento solene à aclamação do Imperador
Constitucional do Brasil ¾ D. Pedro I
O primeiro Presidente de Goiás, nomeado por D. Pedro,
foi Dr. Caetano Maria Lopes Gama, que assumiu o cargo a 14 de setembro
de 1824.
IV - Movimento Separatista do Norte de
Goiás
O movimento separatista do Norte representou uma
continuação do movimento revolucionário da capitania de Goiás sob a
liderança do mesmo Padre Luis Bartolomeu Márquez ¾ cognominado O Apóstolo da Liberdade. Os
grandes proprietários afirmavam que apesar de pagar os impostos, os
benefícios do governo lá não chegavam. O povo vivia em completa
miséria.
V - Um movimento nacionalista
Após a independência política do Brasil,
processou-se uma luta surda entre brasileiros e portugueses pelo
poder político e econômico do Brasil; D. Pedro I, como era português de
nascimento, começou a ser favorável aos portugueses, inclusive
colocando-os nos melhores cargos públicos e postos de confiança de seu
governo.
Em Goiás como vimos, não houve mudanças marcantes de
Colônia para o Império.
No aspecto econômico continuou o mesmo marasmo já
registrado com a decadência da mineração, somente mais tarde vai a
pecuária oferecer ligeiras modificações. No aspecto político, as
transformações foram pequenas. Os goianos os identificavam com os
detestáveis Capitães Generais de um passado próximo, que não se
apagara.
O segundo presidente de Goiás, foi o português Miguel
Lino de Moraes (1827-1831), homem inteligente e que provocou fazer uma
boa administração.
Impulsionou o ensino, lutou pelo renascimento da
mineração, criou uma empresa de exploração de minérios (Companhia
dos Seis Amigos) na cidade de Goiás, fundou, também na mesma
cidade uma fábrica de tecelagem (1828), incentivou a agricultura e
a pecuária. De seu governo datam "as primeiras grandes exportações
de rebanhos, sobretudo de gado vacum e
cavalar".
Com a abdicação de D. Pedro I, rebentou em Goiás um
movimento de caráter nitidamente nacionalista, que alcançou vitória
pelas condições da política geral do Brasil. Os líderes deste movimento
foram o Bispo cego, D. Fernando Ferreira, pe Luís Bartolomeu márquez e
Coronel Felipe Antônio Cardoso.
Recebendo adesão e apoio das tropas, o movimento de 13
de agosto de 1831 alcançou seu objetivo, que era depor todos os
portugueses que ocupavam cargos públicos em Goiás.
A conseqüência deste movimento de rebeldia foi a
nomeação de três goianos para a presidência de Goiás, embora a Regência
de início oficialmente o desaprovasse.
Foram estes os seguintes presidentes Goianos:
José Rodrigues Jardim, (1831-1837), pe Luiz Gonzaga de
Camargo Fleury (1837-1839) e José de Assis Mascarilhas
(1839-1845).
6 - O Povoamento de Goiás e a expansão da
Pecuária
Durante o século XIX a população de Goiás aumentou
continuamente, não só pelo crescimento vegetativo, como pelas migrações
dos Estados vizinhos. Os índios diminuíram quantitativamente e a
contribuição estrangeira foi inexistente.
A pecuária tornou-se o setor mais dinâmico da
economia.
I - Correntes Migratórias
A maioria dos mineiros que aqui permaneceu, após o
desaparecimento do ouro como empresa pré- capitalista, vai
dedicar-se a uma agricultura de subsistência e criação de
gado.
A pecuária trouxe como conseqüência o desenvolvimento
da população. Correntes migratórias chegavam a Goiás oriundas do
Pará, do Maranhão, da Bahia, de Minas, povoando os inóspitos
sertões.
No sudoeste novos centros urbanos surgiram, sob o
impulso da pecuária: Rio Verde, Jataí, Mineiros, Caiapônia,
Quirinópolis.
No norte a pecuária trouxe intensa mestiçagem com o
índio, que foi aproveitado como mão de obra na criação de gado. Em menor
escala, também ocorreu a mestiçagem com o negro. Os habitantes desta
região dedicaram-se não só a criação de gado, mas também a exploração do
babaçu, de pequenos roçados, do comércio do sal (muito rendoso) e a
faiscarão. Nasceram novas cidades e outras já existentes tomaram
novos impulsos sob o fluxo da pecuária: Imperatriz, Palmas, São
José do Duro, São Domingos, Carolina, Arraias.
II - Cronologia do povoamento
Pelo exposto, viu se que a economia minerada deu início
ao processo de colonização de Goiás. Coube à pecuária desenvolver e
aumentar sua população.
A partir dos anos 30 do século XIX foi a população
aumentando, sob os auspícios da pecuária :
1849 – 79.000 habitantes;
1856 – 122.000 habitantes;
1861 – 133.000 habitantes;
1872 – 149.000 habitantes;
1890 – 227.000 habitantes;
1900 – 255.000 habitantes.
III - População Indígena
Necessário se faz mencionar os aborígines, que
contribuíram sobremaneira para a formação do grupo goiano,
principalmente no Norte do Estado.
Saint-Hilaire afirma que por ocasião de sua
viagem, Goiás era a Província que mais índios possuía "... a
população portuguesa derrama nesta capitania não fora nunca
suficientemente intensa para aniquilá-los todos. Com muitos custo
conseguira-se reunir certo número em aldeias; os outros viviam
inteiramente selvagens nas matas e nos lugares mais
desertos".
Infelizmente, nunca foi possível precisar o número
exato dos silvícolas goianos, como de todo o Brasil. Com o passar dos
anos a colonização trouxe o desaparecimento parcial dos naturais e a
extinção total de muitos tribos.
IV - Imigração estrangeira
Não podemos deixar de mostrar a problemática da
imigração européia.
Após a liberação do negro, grupos locais, identificados
com interesse agrário, lutaram pela vida do imigrante europeu. O governo
Montandom (1886) adquiriu do Vice- Presidente da Província, José Antônio
Caiado, uma fazenda destinada a iniciar este tipo de colonização. Mas as
terras eram muito ruins, e os imigrantes italianos não chegaram nem a
vir para o território goiano.
Em 1896, o governo republicano de Goiás tentou mais uma
vez impulsionar a imigração. Também sem êxito.
Somente nas primeiras décadas do século XX se iniciou a
imigração européia em Goiás, em moldes muito modestos.
Em 1920, três núcleos coloniais mais importantes
desenvolveram-se em Goiás: um de italianos em Inhumas; outro
também de italianos no município de Anápolis ( Nova Veneza ); o
terceiro, de portugueses, na fazenda Capim Puba no atual município
de Goiânia.
Em 1924, organizou-se a colônia de Uvá. 300
famílias, num total de 299 pessoas, instalaram-se no referido
núcleo, as demais dispensaram-se.
Em Anápolis, no ano de 1929 formou-se um núcleo
de 7 famílias japonesas. Nos anos seguintes juntaram-se outras
famílias; estes pequenos grupos prosperaram pelo seu trabalho
sistemático e pelas semelhanças de clima e solo. Foram estas as
primeiras levas de colonos europeus que vieram para
Goiás.
As condições sócio-economicas do Brasil não
possibilitaram uma ação administrativa satisfatória em Goiás, durante o
século XIX. A política goiana, por outra parte, era dirigida por
Presidentes impostos pelo poder central. Somente no fim do período em
referência, começou a adquirir feições próprias. Coexistiu no aspecto
cultural um verdadeiro vazio.
7 - Panorama Administrativo Político Cultural de Goiás
Durante o Império
I - Panorama Administrativo
A primeira Constituição Brasileira foi promulgada a 25
de março de 1824. Esta carta política regeu todo o Brasil até a
proclamação da República em 1889.
Em Goiás os presidentes exerciam grande influência na
vida política. Eram eles de livre escolha do poder central, sem vínculos
familiais à terra, descontentando os políticos locais.
A Assembléia Provincial e a Câmara dos Vereadores
funcionavam de acordo com as ordem e interesse do Presidentes da
Província.
Condicionado por uma série de fatores, Goiás teve vida
medíocre no transcorrer do séculos XIX. Não participou do surto
desenvolvimentista do Brasil, em brionário a partir da década de 50 e me
aceleramento depois dos anos 70.
Seus administradores quase nada conseguiram fazer.
Lutaram para normalizar a navegação do Araguaia – Tocantins, com
pequenos êxitos; tentaram estender os trilhos de ferro aos sertões
goianos, mas não conseguiram.
II - Panorama Político
Nas últimas décadas do século XIX, grupos locais
manifestaram-se com a administração e responsabilizaram os Presidentes
"Estrangeiros" pelo grande atraso de Goiás e passaram a lutar pelo
nascimento de uma consciência política. Sob pretexto de afastar o
"Oficialismo Político" e assim enfeixar nas mãos o poder, fundaram os
partidos políticos _ Liberal ( 1878 ) e Conservador ( 1882 ). Os jornais
Tribuna Livre, Publicador Goiano, Comércio, Goyaz, foram propulsores
destas idéias e interesses.
Após esta tomada de consciência, verificou-se relativa
mudança no panorama político de Goiás . Representantes próprios foram
enviados á Câmara Alta: André Augusto de Pádua Fleury, José Leopoldo de
Bulhões Jasmim, Cônego Inácio Xavier da Silva e outros.
A conseqüência de tais movimentos foi a fortificação de
grupos políticos locais, lançando;ando as bases das futuras oligarquias
goianas.
A vida política de Goiás na última década do Império
foi muito agitada, em decorrência das crises nacionais e dos choques de
interesses dos grupos locais.
III - Panorama Cultural
Pode-se afirmar que a educação em Goiás no século XIX
foi inexistente . A cultura era própria do clero e inexpressiva.
Coube a Pombal instituir as chamadas aulas régias e
criar o subsídio literário .
O primeiro professor oficial _ Bartolomeu Antônio
Cordovil_ iniciou sua tarefa, muitos anos depois, em 1787 .
No fim do século XVIII, existiam em Goiás oito
professores. Praticamente não existiam escolas, considerando o número de
seus habitantes: 50.574.
O ensino secundário passou a dar os seus primeiros
passos com a criação do Liceu de Goiás em 1846 . No entanto, este
estabelecimento não atendia aos jovens do interior da Província. Aqueles
de maiores posses iam para Minas concluir seus estudos, os outros,
grande maioria, ficaram como tinham nascido: analfabetos quando muito
aprendiam as primeiras letras.
São Paulo era a cidade eleita para os estudos
superiores, uma vez que o curso jurídico era, na maioria das vezes, o
preferido.
Em1882, foi criada a primeira Escola Normal de Goiás. O
currículo desta escola era voltado para as matérias experimentais:
física, química, zoologia, botânica, pedagogia, sociologia, língua
portuguesa, etc. Seu funcionamento encontrou vários obstáculos e pouco
tempo duro.
No transcorrer da década de 80, o ensino em Goiás
passou por reformas, sofrendo ingerência de interesses políticos e da
filosofia Comteana.
Quanto ao desenvolvimento cultural de Goiás, operou-se
também em passos lentos, como reflexo de sua limitada vida Sócio-
Econômica.
IV - Panorama Histórico Econômico De Goiás:1722 -
1930
O processo de colonização de Goiás se fez em função de
economia de mineração, ditada pelo sistema mercantilista, dentro da
economia do ouro do Brasil.
No Brasil é denominado a século do ouro, Primeiramente
se descobriram as minas de Cuiabá, e em seguida as de Goiás. Com a
descoberta do ouro no território goiano, através da expedição de
Bartolomeu’ Bueno da Silva, fez- se a ocupação inicial da região, então,
normalmente onde havia ouro e água emergia- se um pequeno povoado. Dessa
forma, faz- se a ocupação da região Centro- Sul de Goiás – referimo-nos
ao estado de Goiás, antes da atual divisão enquanto permaneceram
totalmente despovoadas as regiões do extremo norte e sudeste da
capitania.
A partir do crescimento demográficos de Goiás, da
ocupação, inicial da terra, há necessidade de se criar uma capitania em
separado da capitania de São Paulo. Em 1749, Goiás se torna uma região
independente, passando a Ter governo próprio, porque até então era
administrado de longe do Ouvidor, que era o Chefe da Justiça e do
Intendente, que era o encarregado das finanças, responsável pelo
controle da arrecadação do ouro em Goiás.
8 – Movimento Liberais e a Implantação de República em
Goiás
I - A escravidão e o movimento
libertário
A escravidão negra sustentou a exploração do ouro em
Goiás.
No apogeu desta fase (1726-1778), as estatísticas
mostraram a superioridade numérica do negro sobre o branco.
Para os primeiros tempos do povoamento, pode-se avaliar
uma relações de três para um entre escravos e livres, havendo que
considerar entre livres mulatos e forros.
A última ilusão de ouro em Goiás foram as Minas de
Anicuns (1807). A falta de escravos para trabalhar nestas minas levou a
aceitar o trabalho livre assalariado.
Quando a escravidão deixou de ser o fulcro da produção
e pela conjuntura nacional o preço do escravo ficou muito alto, os
fazendeiros perceberam que pagar um trabalhador por baixo preço era mais
lucrativo. Concomitantemente foram grassando na sociedade goiana os
sentimentos humanitários de libertação do negro.
II - Felix de Bulhões, o Castro Alves
goiano.
Felix de Bulhões, foi um dos goianos que mais batalhou
pela libertação dos escravos. Em 1885, fundou o jornal O Libertador,
que teve como principais, objetivos libertar, integrar e educar o
negro no contexto social. Promoveu festas, angariou dinheiro para
alforriar escravos. Era poeta. Compôs o Hino Abolicionista Goiano. É
chamado Castro Alves Goiano pela sua grande atuação em benefício à
liberdade do negro. Sua morte ,ocorrida em março de 1887,levou várias
sociedades emancipadoras, já constituídas em Goiás a se unirem,fundando
a Confederação Abolicionistas Felix de Bulhões.Seus frutos foram
positivos.Libertou Muitos escravos.
A Lei libertou em toda província Goiana aproximadamente
4.000 escravos.Numero insiguinificante para uma população que já
alcançava cifra superior a 200.000 homens.
III - O movimento republicano em Goiás
O Movimento republicano no Brasil Somente tomou Alma e
corpo a partir de 1870, justamente na década em que processavam
transformações de ordem sócio econômica: Surto cafeeiro, desenvolvimento
do crédito bancário,impulsos a industrialização,decadência da mão de
obra escrava,incremento á imigração européia,urbanização,
desenvolvimento do mercado interno,etc.
Em Goiás, graças à sua estrutura sócio-econômica e
cultural, as manifestações republicanas foram tardias e
inexpressivas.
IV - Guimarães Natal- um republicano
histórico.
Em 1822, em decorrência do partido Liberal Goiano,
Manuel Alves de Castro Sobrinho, fundou o jornal, O Bocayuva que embora
tenha circulado apenas sete vezes, trabalhou pelo ideal republicano. No
dia seguinte, um jovem, que se formara na escola de Direito de São
Paulo, trouxe para a província goiana a efervescência desta chama
revolucionária.
Era de Joaquim Xavier Guimarães Natal. Fez renascer o
Bocayuva e batalhou pela divulgação de seus ideais, na época denominados
Subversivos.
Tendo como principal escopo-maior desenvolvimento de
Goiás, lutou pela federação, abolição liberdade de ensino, liberdade de
religião, eleições democráticas, etc.
Nas pugnas eleitorais, seus candidatos não ganhavam
votos.
O Brasil federal(1887), foi outro jornal republicano
fundado e dirigido pelo mesmo líder - Guimarães Natal.
V - Implantação do Regime Republicano em
Goiás
Como Goiás ainda não tinha telégrafo, a notícia da
Proclamação da republica aqui chegou através de uma carta vinda de
franca,no dia 28 de novembro.
A nova proclamação colheu de surpresa todos os
políticos da província. O povaréu não participava da vida política,
portanto o 15 de Novembro nada representou para ele.
Os efeitos do 15 de novembro em Goiás prenderam – se as
questões administrativas e políticas.Os fatores sócio- econômico e
culturais não sofreram abalo: O liberto continuou flutuante, caminhando
para o marginalizo social; as elites dominantes continuaram as mesmas;
não ocorreu a imigração européia; os latifúndios improdutivos, áreas
imensas para povoar e explorar; decadência sem se pensar em modificar a
estrutura de produção; pecuária e agricultura deficitárias; educação em
estado embrionário; povo esquecido em suas necessidades, mas usado pelos
hábeis políticos, que baixavam decretos em seu nome.
VI - Crises políticas e elites
dominantes
Pelo fato de ser Guimarães Natal cunhado dos Bulhões, a
República em Goiás não trouxe modificação na liderança política.
Os Bulhões continuaram donos do poder como na fase na
qual ascendiam os liberais na área nacional. Agora ,com maior margem de
mando, graças à autonomia do estado oferecida pelo novo regime –
Federação.
Os primeiros anos de Goiás República estão cobertos de lutas pelo
poder político. São elas, em parte, reflexo da conjuntura nacional.
O Governo provisório nomeou presidente do Estado
Tenente Coronel Bernardo Vasquez, que, no entanto, nem chegou a tomar
posse.
No dia 25 de Fevereiro de 1890, Gustavo Augusto da
Paixão, assumiu a Presidência do novo Estado.
Os Bulhões desejosos de galgar o Executivo, embora
mantendo relações amistosas com Paixão, conseguem, através de Campos
Salles e Francisco Glicério, sua demissão, que se efetuou a 12 de
Janeiro de 1891.
Na impossibilidade de assumir o governo o 1º Vice-
Guimarães Natal, tomou posse Bernardo Antônio de Farias Albernaz ( 2.º
Vice ).
O segundo ministério do governo de Deodoro (Ministério
- Lucena) fez nova nomeação de Presidente e vice Presidente para Goiás
Recaiu a escolha nos goianos João Bonifácio Gomes de Siqueira e
Constâncio Ribeiro da Maia (Grupo Fleury )
Empossado João Bonifácio a 30 de Março de 1891,
procurou administrar imparcialmente, mas velho e cansado, sofrendo
pressões das diferentes facções, renunciou no dia 19 de maio de 1891. O
novo Presidente foi Constâncio Ribeiro da Maia.
Com a renúncia de Deodoro (23 de novembro de 1891) o
cenário político goiano se transforma. Voltam ao poder os Bulhões.
VII - Grande crise da Constituição
goiana
Uma das primeiras preocupações de Junta Governativa,
aclamada a 1.º de Dezembro, foi a escolha dos representantes goiano à
Constituinte Nacional.
Foram nossos representantes:
Senadores: José Joaquim da Sousa e Antônio Amaro da
Silva Canedo.
Deputados: José Leopoldo de Bulhões, Sebastião Fleury
Curado e Joaquim Xavier Guimarães Natal.
Choques entre o legislativo e o executivos geraram a
primeira grande crise política de Goiás República – crise da
Constituição. Goiás teve duas Constituições, a dos Bulhões e a dos
Fleurys.
Após a renúncia de Deodoro, prevaleceu a Constituição
de 1.º de junho de 1891, também conhecida pelo nome de Constituição dos
Bulhões.
VIII - Elites Dominantes - Bulhões e Jardim
Caiado.
Com o Marechal de Ferro no poder Central, os Bulhões
consolidaram seu domínio na política de Goiás. O grande líder desta
oligarquia foi José Leopoldo.
No ano de 1904, ocorreu fracionamento do grupo, sob a
liderança de Xavier de Almeida, que conseguiu afastar momentaneamente os
Bulhões do poder.
No entanto, em 1908, em decorrência da sucessão
senatorial, Goiás viveu clima de intranqüilidade política, desaguando
numa revolução (1909).
Nesta luta saíram vitoriosos, mais uma vez, os Bulhões,
a esta altura apoiados por Eugênio Jardim e Antônio Ramos Caiado, que
posteriormente, se tornaram fortes como políticos não só na área
regional como na nacional.
Maio de 1909 pode ser conhecido na história política de
Goiás como o renascimento do mandonismo bulhônico. Foi reconhecido
presidente do Estado, para o quatriênio 1910-1913, Urbano de Gouvêa,
cunhado de José Leopoldo; este se elegeu, mais uma vez, Senador da
República de Goiás.
Permaneceu nesta função até o ano de 1918, quando não
mais conseguiu se reeleger.
Foram desentendimentos entre o grupo bulhônico e os
Jardim-Caiado e o apoio da política de Hermes Fonseca a estes, que
levaram a oligarquia dos Bulhões à derrocada.
A partir de 1912, a elite dominante na política goiana,
vai ser a dos Jardim-Caiado, popularmente conhecida como Caiadismo. No
se início os documentos registram "política Eugenista".
Antônio Ramos Caiado fez presidente do Estado, fez
deputados, se fez sempre senador da República e fez aprovar leis de
acordo com seu interesse político e pessoal.
Somente foi afastado do poder quando o movimento
renovador de 1930 tornou-se vitorioso. Em Goiás seu grande opositor foi
o médico Pedro Ludovico Teixeira.
9 - Goiás Até a Revolução de 30
I - Situação Geral do Estado
Em 1925, o capitão Cordolino de Azevedo, goiano,
residente no Rio, empreendeu uma viagem nostálgica a Goiás, depois de 30
anos de ausência. Para ele Goiás atravessava uma grande fase de
progresso, inaugurava-se uma nova era para a terra goiana.
As principais razões do progresso goiano enumeradas
pelo capitão eram:
- Comunicações – A chegada da estrada de ferro a Goiás tinham
revolucionado as comunicações.
- Economia – A estrada de ferro estava produzindo uma
extraordinária expansão da economia goiana.
- Governo – O Estado de Goiás era um dos poucos estados da
União com finanças saneadas, com constantes superávit
orçamentários.
Esta visão otimista do capitão não parece confirmada
pela realidade: até 1930 o Estado de Goiás continuava fora da corrente
de progresso.
II - Comunicações
Em 1824 entrou em Goiás o primeiro carro de bois,
proveniente de Minas.
O telegrafo chegado a Goiás em 1891 supôs um enorme
avanço na transmissão de notícias.
Dois grandes inventos tinham revolucionado as
comunicações durante o século XIX: no setor das comunicações marítimas –
o navio a vapor; no setor das comunicações terrestres – a estrada de
ferro.
Significava o transporte "rápido e barato",
indispensável para o progresso econômico e social. Mas somente chegou a
Goiás em 1913.
Embora um grande avanço para a s comunicações com o
exterior, os 300Km, de estrada de ferro não poderiam significar grande
coisa para um Estado de mais de 600.000 quilômetros quadrados.
No século XX, um novo invento veio revolucionar os
transportes: o automóvel.
O primeiro automóvel parece ter chegado a Goiás em
1907. A primeira estrada de rodagem foi inaugurada em 1921. O progresso
neste sentido foi também lento: em 1930 o movimento de veículos nesta
estrada, a principal do Estado, era de apenas dez por dia, entre carros
e caminhões.
III - População
A população do Estado aumentava rapidamente. O censo de
1900 deu a Goiás uma população de 255.284 habitantes; e o de 1920,
registrou 511.919.
A região mais povoada era o sudeste, pela maior
proximidade do Triângulo Mineiro e presença da Estrada de Ferro. Catalão
com 35 mil habitantes era em 1920 o município com maior população.
IV - Felix de Bulhões Economia
A economia era uma economia quase exclusivamente de
subsistência; a produção era local e para o consumo, sendo muito pequeno
o comércio interno e a circulação monetária.
A grande massa da população trabalhava na agricultura.
A criação de gado era, contudo, o setor mais dinâmico da economia, por
ser o gado em pé o produto de mais fácil exportação e quase o único
exportado em quantidade apreciável.
Entre 1920-1929, o gado vivo significou quase a metade
de todas as exportações e 27,69% da arrecadação total do Estado.
Com a construção da Estrada de Ferro, a produção de
arroz para a exportação aumentou rapidamente; no período 1928-1932, a
exportação de arroz já alcançava a metade do valor da exportação de
gado.
Também crescia a exportação de café.
A indústria e os serviços continuavam sendo atividades
economicamente pouco significativas.
A economia em seu conjunto continuava, pois, sendo uma
economia de subsistência. A escassez de moeda e meios de pagamento, a
inexistência de vida urbana, e a dificuldade de comunicações impedia a
produção para o exterior mediante a exportação. Goiás no período da
República Velha, permaneceu estagnado.
V - Regime de Propriedade: Classes
Sociais
Em todo o estado, continuava dominando a grande a
propriedade rural, o latifúndio; só as grandes fazendas podiam vender
algum excedente à dinheiro, com que comprar o sal, aramar, pólvora e
chumbo, e outras poucas coisas imprescindíveis para a vida e não
produzidas na própria fazenda.
Em Goiás a terra valia muito pouco, e rendia ainda
menos. A produtividade da terra, e sua conseqüente valorização, só se
dariam em Goiás com a criação de um mercado consumidor em decorrência do
processo de urbanização.
VI - Governo: Administração
No aspecto político, o governo tinha sua autonomia
bastante reduzida pela prepotência local dos "coronéis" no interior.
Quase poderíamos dizer que o governo só exercia sua jurisdição
plenamente na capital; os coronéis, o vigário e o juiz eram mantenedores
da ordem social.
As distâncias, a pobreza de meios econômicos, a
carência de um corpo de funcionários adequado são as causas do
enfraquecimento do poder central do Estado.
Outra característica, talvez ainda mais importante, do
poder público nesta época é a limitação dos objetivos do governo. Neste
aspecto, os governos de Goiás até a revolução de 1930 estão muita mais
próximos do tipo de governo colonial que dos governos atuais.
Junto aos deveres fundamentais da ordem e da
legalidade, pouco a pouco, ia-se desenvolvendo em Goiás a consciência de
que era uma obrigação do governo cooperar no ensino, preocupar-se das
comunicações, velar pela saúde pública, etc.
Mas estas eram por parte do governo preocupações ainda
remotas, e por parte do povo exigências por muito poucos formuladas.
A transformação do conceito e do âmbito de ação do
poder público, que é uma das revoluções mais profundas operadas durante
a história contemporânea, só começariam a manifestar-se em Goiás em
decorrência da revolução de 1930, que vitoriosa no âmbito nacional,
lançou seus frutos positivos em Goiás.
10 - A Revolução de 30 e a Construção de
Goiânia
A revolução de 30, não se operou, imediatamente, no
campo social, mas no campo político. O governo passou a propor-se como
objetivo primordial o desenvolvimento do Estado. A construção de
Goiânia, pelas energias que mobilizou, pela abertura de vias de
comunicação que a acompanhavam, e pela divulgação do estado no país, foi
o ponto de partida desta nova etapa histórica.
I - Revolução de 30 em Goiás
A revolução de 30 foi uma revolução importada em Goiás.
Nem poderia ser outra maneira.
Ela não foi uma revolução popular, nem se quer uma
revolução de minorias com objetivos sociais. Foi portanto, uma revolução
feita por grupos heterogêneos da classe dominante descontente(Minas Rio
Grande do Sul),de militares (Grupos tenentista) e das classes médias,
sem uma ideologia determinada.
Em Goiás a revolução teve como ponto de apoio parte da
classe dominante descontente.
A falta de comunicações acentuava a impossibilidade do
surgimento de uma oposição organizada.
Os pequenos núcleos de oposição, que se tinham formado
durante á última década (em Rio Verde e Inhumas e Anápolis), eram mais
expressão de personalidades descontente que uma verdadeira oposição.
As eleições eram totalmente controladas pelo Governo(o
que tirava toda esperança de derrubar o governo por meios legais). E a
ação da policia militar, tornando a vida difícil para os oposicionistas
mais recalcitrantes, completam a explicação da inexistência de uma
oposição consistente em Goiás.
A crise do 29, que foi o catalisador de todos os
descontentamentos para fazer eclodir a revolução, não fez sentir efeitos
aqui por falta de uma economia organizada e dependente de um ativo
comércio.
Por todas estas razões, a participação efetiva de Goiás
na revolução limitou-se á ação pessoal do Dr. Pedro Ludovico. Ao
explodir a revolução a 4 de Outubro de 1930, reuniu um grupo de 120
Voluntários no triângulo Mineiro, com que intentou invadir a região do
Sudoeste de Goiás.
Pedro Ludovico preso. Logo depois a revolução triunfava
no resto do País. Uma coluna procedente de Paracatu, comandada pelo
coronel Quintino Vargas chegou até a cidade de Goiás e o médico mineiro
Carlos Pinheiro Chagas tomou o poder.
II - Governo revolucionário
A revolução colocou em Goiás um governo provisório
composto de três membros: entre eles estava, o Dr. Pedro Ludovico. Três
semanas depois, foi nomeado interventor ,imaginou durante 15 anos Pedro
Ludovico governaria pessoalmente Goiás.
A revolução não provocou nenhuma mudança social, no
campo político um movimento moralizador: a comissão. A comissão de
sindicância devia apurar os crimes contra o patrimônio do Estado, a
coação contra os "elementos Liberais", a violência e abuso de autoridade
e fraude nas eleições.
Com respeito a este objetivos, a revolução trouxe para
Goiás uma revolução política. Muitos jovens, politicamente novos, mais
desinteressados e ansiosos em trabalhar pelo progresso do Estado,
passaram a ocupar os ,cargos de governo. Mas os longos anos de ditadura,
haveriam de seguir-se.
Há um aspecto, contudo, em que as transformações foram
profundas e decisivas: o estilo de governo. O governo passou a propor-se
como objetivo primeiro de sua gestão, a solução dos problemas do Estado
em todas as ordens, dando especial ênfase ao problema do
desenvolvimento, exemplos: transporte, educação, saúde pública,
exportação.
O grande empreendimento do Estado, foi a construção de
Goiânia.
III - O Problema da Mudança da Capital
Já desde os princípios tempos da história de Goiás,
localização da capital tinha constituído um problema: o primeiro
governador de Goiás, Conde dos Arcos, respondendo a uma consulta do
governo português, informa que o translado da capital de Vila Boa
(Cidade de Goiás) para Meia Ponte (Pirenópolis) seria bastante benéfico
para a Capitania, pois o clima de Vila Boa e sua situação geográfica
eram muito inferiores aos de Pirenópolis.
Estas acusações contra a cidade de Goiás, a
insalubridade de seu clima e sua má localização para servir de centro
administrativo da Província e depois do Estado, foram várias vezes
repetidas durante o século XIX, por alguns Presidentes.
Contudo, Goiás continuava sendo a capital.
As razões que se opunham à mudança da capital eram:
- de parte do governo: o gasto público que isto suporia, todos
os edifícios públicos teriam de ser construídos de novo; haveria
que empregar grandes somas na construção da nova capital e o
governo estadual era tão pobre que não podia pensar em gasto
algum extraordinário.
- de parte da população: a oposição composta tanto por motivos
sentimentais, como pelo prejuízo econômico que se teria da
mudança. A "desvalorização" das casas, dos negócios e das terras
era temida por todos.
Por isso a mudança não poderia processar-se em tempos
normais, a oposição era demasiado forte. Só uma transformação violenta
das estruturas políticas poderia reabrir o problema da mudança.
Foi o que aconteceu com a revolução de 30.
IV - Influência do Movimento de 30 no Ideal
Mudancista
A situação do novo governo, nascido da revolução, era
radicalmente diferente com respeito ao problema da mudança da
capital.
A cidade de Goiás era o centro de poder da oligarquia
deposta pela revolução – trasladar a capital para outro lugar reforçava
o novo governo do ponto de vista político e psicológico.
Não havia que temer a oposição, pois o governo
revolucionário nem dependia dos votos dos eleitores, nem devia favores
aos governos passados.
Para criar uma nova era nenhum símbolo melhor que criar
uma nova capital.
Em junho de 1932, Pedro Ludovico, declarou publicamente
que o problema da transferência da capital estava sendo estudado e seria
resolvido em breve.
Em outubro, já viajava para o Rio buscando apoio
político e financeiro do governo federal à construção da nova
capital.
IV - Etapas da Construção de Goiânia
A mudança da capital não era apenas um problema na vida
de Goiás. Era também a chave, o começo de solução de todos os demais
problemas. Mudando a sede do governo para um local que reunia todos os
requisitos de cuja ausência absoluta se ressente a cidade de Goiás,
teremos andado meio caminho na direção da grandeza desta maravilhosa
unidade central.
"O governo não considerava a construção de uma nova
capital um gasto, mas um investimento necessário para o
desenvolvimento."
Nenhum obstáculo foi capaz de impedir a construção: nem
a forte oposição política, nem a dificuldade de construir uma cidade num
lugar tão afastado, com pouco dinheiro, e sem contar com uma
infra-estrutura industrial.
A 24 de outubro – como homenagem à revolução – teve
lugar o lançamento da primeira pedra.
A partir deste momento, a construção progrediu
rapidamente.
A 7 de novembro de 1935, realizou-se a "mudança
provisória": o governador – Pedro Ludovico – deixou Goiás, para fixar
sua residência em Goiânia.
Em Goiás, ficaram ainda a Câmara e o Judiciário. A
mudança definitiva, teve lugar em 1937, quando os principais edifícios
públicos já estavam concluídos.
Cinco anos depois, em julho de 1942, foi realizado o
"batismo cultural" de Goiânia, com grandes festas e a celebração de
vários congressos de ordem nacional.
A cidade contava com mais de 15.000 habitantes, o dobro
que a cidade de Goiás com seus 200 anos.
V - Goiânia e Desenvolvimento de Goiás
O problema do desenvolvimento é muito mais complexo e
de muito mais lenta solução do que supunham os homens da Revolução de
30.
Em 1942, com efeito, Goiânia, "chave do desenvolvimento
geral de todo o Estado", era uma cidade perfeitamente estabelecida, e o
orçamento estadual subia já a 26.000 contos (mais de cinco vezes o
orçamento de 1930), mas o desenvolvimento do Estado estava longe de ser
satisfatório. Para tomar um único índice: o censo de 1940 constatou que
entre 563.262 pessoas de mais de 10 anos, só 148.937 sabiam ler e
escrever.
As comunicações, a saúde, a instrução, a carência de
indústria, a baixa produtividade na agricultura e na pecuária, a
descapitalização da economia, a estrutura da propriedade etc., etc.,
eram problemas ainda intactos, trabalho para várias gerações.
A Revolução de 30, e sua obra principal em Goiás: a
construção de Goiânia, podem considerar-se começo de uma nova etapa
pelos rumos que marcaram mais que pelas realizações imediatas.
A construção de Goiânia, uma das grandes obras do
Brasil na época, devolveu aos goianos a confiança em si mesmos. Em vez
de pensar-se na grandeza do passado, começou a pensar-se na grandeza do
futuro.
Ao mesmo tempo, a construção de Goiânia significava um
primeiro grande impulso para a transformação da economia e da política
econômica.
O governo, até então preocupado quase unicamente em
manter a ordem, promoveu, pela primeira vez em Goiás, uma obra de grande
envergadura, que mobilizou as energias latentes.
A Construção de Goiânia, promoveu a abertura de novas
estradas, tornando-se centro de ligação dentro do Estado e com outros
Estados: favoreceu a imigração, e conseqüentemente o povoamento,
acelerando a colonização do Mato Grosso goiano, zona de grande riqueza
agrícola; criou o primeiro centro urbano, que se não chegou a
constituir-se em centro industrial – como esperava os construtores.
Por isso, a Revolução de 30 e construção de Goiânia,
podem ser tomados como marco de uma nova etapa histórica para Goiás.
11 - Goiás Atualidade: 1940 – 1970
I - A População
A alta taxa de natalidade da população do Estado e o
aumento da imigração determinaram, neste período, que o crescimento da
população se processasse num ritmo acelerado.
A imigração, durante esta década 1940-1950, também
alcançou um elevado índice, que determinou, somado ao aumento
vegetativo, um crescimento global, um crescimento global da população de
3,9% anual.
Mais rápido ainda foi o crescimento da população na
década seguinte, alcançando a taxa de 4,9%. Os fatores que influíram
fortemente foram: a construção de Brasília e a diminuição do índice de
natalidade.
Em 1970 a população de Goiás se aproximava já dos três
milhões. Estes dados indicam que a população de Goiás se multiplicou por
seis nos últimos cinqüenta anos.
Este crescimento rápido da população, estimulado pela
forte migração, embora a longo prazo se traduza em maior
desenvolvimento, a curto prazo pode conduzir a variados impasses.
Segundo Otávio Lage: "As emigrações trazem consigo boas e más
conseqüências. Para a economia da região, melhoram os índices de
mão-de-obra, ampliam as fontes de riquezas, etc.: entretanto, contribuem
para o aumento da demanda insatisfeita de serviços sociais, escolas,
energia, estradas, saneamento e habitação, sobrecarregando os
governos.
II - Distribuição da População
Na realidade, a distribuição da população é muito
desigual, quase a metade do Estado tem uma densidade entre 1 e 2
hab./Km2.
As regiões homogêneas formadas de Norte e Sul. Pois
bem, as oito primeiras micro- regiões com 61% do território tem apenas
27% da população, enquanto o Mato Grosso Goiano, décima região,
concentra mais de um terço da população do Estado com
28,69hab./Km2.
Também apresentam uma forte concentração populacional
as três regiões do extremo sul: Meia Ponte (7,8hab/Km2,
Sudoeste Goiano (6,4) e Paranaíba (8,79).
As vias de comunicação e a proximidade maior ou menor
dos grandes centros econômicos tem determinado uma distribuição da
população totalmente diferente à causada pela mineração no século XVIII,
e pela pecuária no século XIX.
III - Urbanização
O processo de urbanização foi acelerado com a revolução
industrial. A concentração de mão-de-obra para as indústrias determina o
crescimento rápido das cidades.
Em Goiás o censo de 1940, que foi o primeiro em fazer a
distinção entre população urbana e rural, dava para o Estado 14,6% de
população urbana e rural, dava para o Estado 14,6% de população urbana
85,4% rural. Devemos notar, contudo, que o índice de ruralidade era
ainda bastante mais elevado, pois o critério adotado pelo IBGE de
considerar população urbana a residente na sede dos municípios computa
como urbana a população de pequenas cidades e vilas. Apesar disto, havia
municípios, como Goiatuba, onde o índice de ruralidade subia até 97,12%.
Só quatro cidades passavam dos 7 mil habitantes (Goiânia, 15 mil,
Anápolis, 9.500, Goiás, 8 mil e Ipameri 7 mil) e outros quatro (Rio
Verde, Silvânia, Catalão e Piracanjuba) excediam em poucos os três
mil.
IV - Economia: Predomínio do Setor
Rural
"Da população economicamente ativa, 83,69% estavam
ocupados em 1950 no "setor primário", em sistema de trabalho rudimentar:
4,17% no "setor secundário", e ainda incipiente: e 12,14% no "setor
terciário".
A indústria continua sendo de pouca expressão em Goiás
para a formação de riqueza e oferecimento de empregos: sua participação
na renda estadual é quatro vezes menor que a média nacional.
A agricultura e a pecuária, representam, 57% e 40%
respectivamente do setor primário. A agro-pecuária concentra 69% da
mão-de-obra total.
A agricultura do Estado se baseia em três produtos
principais: arroz, milho e feijão.
V - Governo: Administração
A falta de capitais e de uma tradição empresarial
tornavam a ação do governo insubstituível para por em marcha e ativar os
mais variados aspectos do desenvolvimento.
O envolvimento do governo do Estado foi dando-se
gradualmente, a partir da construção de Goiânia; mais intensamente na
década de 50, com a criação do Banco do Estado e a CELG.
O governo Mauro Borges foi o primeiro a propor-se como
diretriz de ação um "Plano de Desenvolvimento Econômico de Goiás"
abrangendo todas as áreas: agricultura e pecuária, transportes e
comunicações, energia elétrica, educação e cultura, saúde e assistência
social, levantamento de recursos naturais, turismo, aperfeiçoamento e
atualização das atividades do Estado.
Em Goiás a tributação per capita multiplicou-se por
mais de seis, durante os quatro últimos anos.
Governo Mauro Borges levou a cabo a Reforma
Administrativa. Essa reforma criava, paralelamente ao corpo
administrativo do Estado, propriamente dito, os serviços estatais
autônomos e paraestatais.
As autarquias permanecem unidas ao governo através, das
secretarias e participam do orçamento estatal. As mais importantes são:
CERNE, OSEGO, EFORMAGO, CAIXEGO, IPASGO, SUPLAN, ESEFEGO, CEPAIGO,
IDAGO, DERGO, DETELGO...
Os serviços paraestatais são constituídos pelas
empresas públicas e sociedades de economia mista, nas quais o governo é
acionista majoritário. Entre elas encontram-se a METAGO, CASEGO, IQUEGO,
etc.
Outro empreendimento importante que nasceu do governo
de Mauro Borges foi a tentativa de reforma agrária.
12 - Governo da Revolução.
Em primeiro lugar uma das razões da queda do governador
foi porque ele tocou o ponto crucial, ele criou a Metago. A Metago foi
entregue ao Capitão Marcus Fleury, antigo chefe do SNI em goiás e braço
direito da Repressão no Estado.
O que fizeram os Governos da Revolução em Goiás ?
Visando eleger o sucessor, Ribas Júnior fez um governo
visando o empreguismo e aumento do funcionalismo. Nomeou praticamente
todo mundo em Goiás.
Foi a última vez que o magistério recebeu
verdadeiramente no Estado. Talvez reconhecendo as suas limitações, não
interferiu na estrutura deixada pelos governo anteriores.
Otávio Lage de Siqueira, construiu postos de saúde e
escolas no interior. Na capital ele foi ofuscado pela brilhante
Administração do então prefeito da capital o Sr. Iris Resende Machado,
que remodelou Goiânia.
Como o presidente gostava de estádios foi a época em
que quase todos os governadores construíram seus estádios. Aqui foi
construído o ESTÁDIO SERRA DOURADA e o AUTÓDROMO, dinheiro desviado da
Educação e obras assistenciais. O professor passa a ganhar salários, os
mais capazes vão evadindo da profissão. Era secretário de Educação neste
período o Sr. Hélio Mouro.
Duas medidas importantes de seu governo: o Goiás rural
e a Lei de Incentivos Fiscal, para as indústrias pioneiras em Goiás; a
construção do CEASA, que com seu sistema de intermediários, contribuiu
para elevar o custo de vida em Goiás .
Irapuan Costa Júnior (1975 - 1979 ).
Obras: Ginásio Rio Vermelho, Incentivo à ginástica e
competições esportivas; ponte sobre o Rio Tocantins, de vendo também ser
mencionada a restauração do Teatro Goiânia.
Ary Ribeiro Valadão ( 1979 – 1983 ). Foi o último dos
governos escolhidos indiretamente pelo planalto.
Economicamente o governo procurou fazer obras de
incentivo no setor primário através dos projetos Rio Formoso, Rio do
Sono, Rio dos Bois e Alto Paraíso. No projeto Rio Formoso o capital
monopolista atuou em detrimento do pequeno proprietário. Era um projeto
ousado, objetivando fazer de Goiás um celeiro do Brasil.
No setor educacional, A única obra foi a construção do
faraônico "Colégio de Líderes" ou Colégio Hugo de Carvalho Ramos. Dado o
seu caráter elitista e irreal no contexto goiano, o novo governo
modificou a orientação do colégio e o inseriu na realidade educacional
do Estado.
Governo Íris Resende Machado (1982).
Eleitor majoritariamente pelo voto direto, popular e
universal, contando com o apoio de uma "frente" de aposição ao
oficialismo. É um governo de conciliação entre o capital e o
trabalho.
Socialmente, tem se caracterizando pelo apoio às
reivindicações populares, Destacam neste sentindo a instituição do
comodato, a integração do sudeste goiano através da Rodovia JK e de
outras vias, desejo antigo dos produtores etc.
Projeto de peso no governo Íris é a tentativa de
resolver o problema dos marginalizados sociais, frutos do êxodo rural.
Contado com o apoio das prefeituras e dos proprietários.
Inicialmente, o governo baixa o chamado "Decretão" uma
medida extrema. Com maior critério, o Estado volta a absorver os
funcionários, reforçando a função do " Estado de Obras".
O Estado torna-se responsável pelo emprego, ainda que
com altos e baixos salários.
No setor da Educação, está sendo providenciada a
aprovação do Estatuto do Magistério, reconsiderou sua situação salarial
e criou cursos complementares para alunos carentes.
De maneira geral é um governo caráter reformista que
tenta recolocar o Estado nas vias de crescimento econômico. Melhorou a
arrecadação fiscal e propiciou a regulamentação de folha de pagamento do
Estado.
No campo social, Goiânia hoje é uma metrópole com
aproximadamente 1,000,000 de habitantes, observa- se o fenômeno do êxodo
Rural, que criado uma população marginalizada do contexto
sócio-econômico.
O menor abandonado tem feito proliferar as casas de
"Caridade", grandes construtoras, na construção de apartamentos luxuosos
com o dinheiro do F.G.T.S, no entanto é o fundo de garantia deste
trabalhador que está garantindo uma parte da construção civil.
A fórmula que o governo descobriu para absorver a
mão-de-obra que emigra do campo para as cidades. Este é rapidamente o
quadro de Goiás hoje, o que não é diferente do restante do Brasil.
13 - Turismo
O turista proveniente de qualquer parte do Brasil, ou até mesmo do
estrangeiro, encontra magníficas atrações no Estado de Goiás.
A GOIASTUR ( Empresa do Estado ) é um departamento da CANTUR e está
subordinada à Secretaria de Comércio e Indústria. Os planos da GOIASTUR
incluem, para início, Calda Novas, São João (onde há água sulfurosas) e
Pirenópolis (cidade histórica).
Uma das mais importante das atrações turística de Goiás é "Caldas
Novas" a maior reserva hidrotermal do mundo, localizada a 170 quilômetro
de Goiânia. Apresenta 30 fontes de água termais, além de uma lagoa
(Pirapitinga ) de água quente.
No sopé da serra de Caldas, encontra- se a "Pousada do Rio
Quente"
Anápolis - É, depois de Goiânia, a cidade mais importante do
Estado. Está situada entre duas importantes capitais: Brasília e
Goiânia. É considerada a capital econômica do Estado devido à grande
qualidade de indústrias.
Cachoeira Dourada – Além a Usina Hidrelétrica, a Cachoeira
Dourada é também um dos pontos turísticos mais visitados do Estado. Logo
abaixo da Cachoeira Dourada (Itumbiara ) encontra- se o Canal de São
Simão, que também é atração turística.
Paraúna – A cidade apresenta belos monumentos erigidos pelo tempo
e pelo vento, no dorso da serra Paredão.
Trindade – É considerada como cidade religiosa de Goiás, porque
no 1.º Domingo de julho de todos as anos, se realiza uma festa em louvor
ao Divino Padre Eterno.
Pirenópolis – A cidade apresenta uma série de atrações
turísticas, destacado- se a Cavalhada, que é realizada junto com a Festa
do Espírito Santo. Há o estrondo da Roqueira, a serra dos Pirineus, a
famosa Pensão do Padre Rosa, além das arquitetura colonial de suas casas
e igrejas.
Goiás – Essa antiga cidade oferece aos turistas: os muros de
pedra feitos pelos escravos, os sobrados coloniais, o Largo do Chafariz,
a Casa da Fundição, o largo da Boa Morte, o Palácio Conde dos Arcos, a
cruz do Anhangüera (um marco deixado pelas bandeiras ), o Chafariz da
Carioca e muitas outras atrações. A cidade de Goiás, foi a primeira
capital do Estado do mesmo nome. Goiás, antiga Vila Boa, foi fundada em
1725 por Bartolomeu Bueno da Silva, o filho.
Araguaia e Bananal - A quantidade de peixes que o rio Araguaia
apresenta é imersa (é o rio mais piscoso do mundo.)
Ilha do Bananal, apresenta o Paraíso das Lagoas, de águas claras com
areal branco, depositado numa série de praias imersas. A flora e a fauna
dessa ilha são riquíssimas pela sua enorme variedade.
14 - FOLCLORE
Folclore é o conjunto de tradições, conhecimentos e crendices
populares (lendas, contos, canções, arte popular)
I - Festa do Divino Espírito Santo
É uma festa que se realiza em quase todos as cidades do interior do
Estado, sendo porém mais expressiva, nos seguintes lugares: Pirenópolis,
Santa Cruz de Goiás e Jaraguá.
É realizada também na cidade de Goiás, sendo apresentadas danças
folclóricas, como a "Congada" e a "Dança dos Tapuios".
II - Nossa Senhora da Abadia
Esta festa também chamada de Nossa Senhora do Muquém, é realizada no
mês de agosto. É uma festa de caráter religioso- popular.
III - Festa de Nossa Senhora do Rosário
A origem dessa festa é baseada nos costumes dos escravos, desde o
tempo da mineração. A festa se propagou e tornou-se conhecida em todos
os lugares do Estado.
É normalmente realizada no mês de Outubro.
No passado, em Goiás havia a chegada da rainha dos pretos. Esta era
acompanhada por um enorme cortejo de negros, enfeitados de cordões e
broches de ouro.
IV - Danças e Musicas
No Estado de Goiás, a influência do elemento negro nas danças e
ritmos, fica registrada na presença de três danças: Tambor, Suça e
Samba.
O Tambor é considerado uma dança sagrada, pois "foi a única
dança que Nossa Senhora dançou".
O povo diz que essa dança deve ser executada com alegria, porém com
respeito, pois ela acompanha a Rainha até a igreja nas festas do Rosário
A Suça é uma dança mais alegre que a do Tambor, sendo
executada sob qualquer pretexto e sem disciplina. Além do tambor,
utilizam viola e pandeiro.
O Samba é danças em qualquer reunião.
Essas três danças são mais executadas ao norte de Goiás.
V - Lendas
Além das lendas populares comuns em todo o Brasil tais como:
"mãe-d’água", "saci-pererê", "mula-sem-cabeça", "bicho-papão",
"anhangá", temos também nossas lendas regionais como: a lenda da "Fonte
da Carioca" e a do "filão de Ouro".
VI - Varões
Há algumas pessoas que se destacam mais, pelo seu trabalho, sua
coragem, sua dedicação, sua inteligência ou seu desprendimento.
O Estado de Goiás apresenta um número muito grande de homens que de
destacaram ou se destacaram ou se destacam nas variadas atividades.
Assim temos:
VII - Escritores
Zoroastro Artiaga – Escreveu vários volumes sobre Histórias de
Goiás.
Antônio Americano do Brasil – Foi jornalista, poeta, orador,
historiado e médico.
Bernardo Elis – Um dos maiores escritores da literatura goiana.
José Godoy Garcia – Escritor e poeta.
Basileu Toledo França – Historiador.
Hugo de Carvalho Ramos – Escreveu mais obras, sendo a principal
"Tropas e Boiadas".
Eli Brasiliense – Grande escritor e poeta.
Cônego Luís Antônio da Silva de Sousa - Foi escritor, orador
Jornalista e político. Não nasceu no Estado de Goiás, porém considerava-
se goiano, tendo escrito as "Memórias Goianas".
VIII - Poetas
Joaquim Bonifácio Gomes de Siqueira – Autor de poemas. É considerado
o primeiro "Príncipe dos Poetas Goianos".
Cilineu Marques de Araújo Vale – Conhecido pelo pseudônimo de Leo
Lince. É considerando a segundo "Príncipe dos Poetas Goianos".
Introdutor do modernismo em Goiás.
Gilberto Mendonça Teles – Considerado, atualmente, o maior poeta
goiano e grande crítico literário.
Frei Veiga Vale – Escultor notável, tendo deixado muitas esculturas
sacras, destacando-se as de Nossa Senhora da Abadia e São Miguel.
15 - A Administração
A administração portuguesa no Brasil durante os três
séculos que durou: a continuidade fundamentada na tradição e, muitas
vezes, no direito costumeiro proveniente da época medieval; a unidade,
dentro da dispersão, pois embora, cada capitania constituísse
administrativamente uma quase ilha, todos seguiam, radicalmente, uma
mesma orientação; o pragmatismo, que levava a preferir a adaptação de
velhos modelos administrativos a situações novas no tempo ou no espaço,
mediante correções ou adendos, à formulação racional de novas tipos para
satisfazer às novas necessidades de governo; a complexidade legal,
conseqüentemente, pois as disposições dadas sobre um mesmo assunto, ao
longo dos séculos e para uma geografia tão vasta como a do império
português, vão sobrepondo- se, num emaranhado.
O Governo Geral estava estruturado na divisão da
autoridade em três seções: administrativo-militar, justiça, fazenda. À
sua frente estavam, o governador- capitão general, o ouvidor e o
provendo- mor. Os campos de autoridade nunca estiveram perfeitamente
delimitados, não somente no nível superior, onde o governador acumulava
certas atribuições na justiça e na fazenda, e o ouvidor e o provedor
intervinham na administração, mas também ao longo dos respectivos corpos
administrativos.
A autoridade dos capitães generais, embora bastante
lata não tinha contudo, limites bem determinados; e à vontade da corte
podiam ser repreendidos por terem feito de mais ou não terem agido o
bastante. Os ouvidores e Juizes de fora estavam investidos, a um tempo
de poderes judiciários e administrativos. Os notário serão ao mesmo
tempo escrivões e meirinhos, e os militares exerciam funções aduaneiras
e de preceptores de impostos.
Os governadores, dentro da amplitude de sua
atribuições, sentiam, quase como uma ofensa pessoal, a independência dos
"ministros", em especial dos ouvidores no campo da justiça.
Há nesta inimizade de séculos, ao mesmo tempo, a
polarização de um conflito de classes. O governador era, de ordinário,
um membro da alta nobreza, daquela velha aristocracia que desde o século
XI ostentava, junto com as quinas de Portugal, o orgulho de seus brasões
familiares nas terras portuguesas das quatro partes do mundo. Os
"ministros" eram, pelo contrário, burocratas, homens que por seu
conhecimento das leis e dos procedimentos, adquirido nas universidades
ou nas tradições familiares, se tornaram indispensáveis aos monarcas
desde a criação do estado moderno. As tensões aristocracia - burguesia
tornavam-se mais carregadas de inviabilidade à medida que se aproximava
o ponto da revolução francesa.
Ao chegar o Conde a Vila Boa, encontrou já em andamento
a famosa disputa entre o vigário perestelo e a Câmara: Excomunhão do
ouvidor, prisão do vigário e declaração de sua insanidade metal, sua
fuga com as conseqüentes excomunhões, prisão do ouvidor e devassas do
enviado do bispo, indiciamento dos 110 complicados no caso, multas. O
governador, conhecendo os graves conflitos a que davam origem as
disputas com as autoridades eclesiásticas, preferiu manter-se à margem
com a autoridades eclesiásticas, preferiu manter-se à margem.
Também tinha ambições pessoais a que o governador, por
ofício, devia opor-se. Queria, para melhor desempenho de seu cargo,_
segundo dizia, pois competia lhe a vigilância contra o contrabando _ que
o rei desse uma lei proibindo a entrada ou saída de qualquer pessoa nos
arraiais da capitania, sem um bilhete de sua mão. Pedia, também, que sua
jurisdição no cível e no crime fosse aumentada até igualar à do ouvidor.
O governador informava ao monarca, que a primeira pretensão do
intendente, se aceita, suporia uma tirania intolerável sobre os povos,
quanto á Segunda aconselhava não aumentar, de forma alguma, a autoridade
dos ministros, coisa perigosa em América.
I - Os Governadores
Desde os primeiros dias da colônia, até a chegada da
Corte ao Rio de Janeiro, não h, provavelmente, queixa mais unânime que a
levantada contra a prepotência dos governadores. Contra o absoluto e
ilimitado de seu poder. Gouveia escrevia, no século XVII, julgava seu
poder simplesmente monstruosa, e Saint Hilaire, falando de Goiás, dizia
que os governadores, até a chegada da família real, gozavam de um poder
praticamente ilimitado.
O poder dos governadores, ao contrario, longe de ser
ilimitado, estava submetido a toda classe de limitações , legais umas,
que restringiam seus poderes, outras de fato, impedindo o exercício real
de sua autoridade. Poderíamos citar entre estas últimas as enormes
distâncias e a falta de comunicações, a carência de um aparelho
administrativo organizado, a inexistência de uma polícia mesmo
rudimentar, etc.
A existência e o reconhecimento de uma ordem legal
significavam exatamente o contrário do poder ilimitado e , neste ponto,
a sobrevivência de muitos direitos pessoais e de classe, próprios do
direito estatamentário, dificultavam, ainda mais, o exercício da
autoridade.
Os governadores nos levaria a concluir quão longe se
encontravam, não só do poder absoluto, mas mesmo de uma real autonomia:
não nomeavam nem escolhiam seus colaboradores, nem podiam destitui-los:
não podiam criar novos ofícios nem prescindir dos existentes; deviam
prestar contas, e esperar aprovação, até dos menores gastos
extraordinários _ se, por exemplo, houve que aumentar, em virtude de
rumores de assalto, alguns soldados a escolta normal dos quintos _
qualquer inovação na lei ou no costume devia ser submetida, de antemão,
ao Conselho Ultramarino, e não podia ser posta em prática sem sua
expressa aprovação.
O conde de S. Miguel, cansado de esperar a moeda
provincial de prata, necessária para as transações nos registros, mandou
pôr em circulação _ em muito pequena quantida